Compaixão

Por: Isabel Fogaça

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Na última vez que tive que ir até a cidade de São Paulo, mantive minha supertição de sentar na poltrona número 3 do ônibus. Sinto certo desconforto ao transitar por longas horas, e, por este motivo, decido dormir. Porém, logo sou acordada pelo frio ocasionado pelo ar condicionado.

Amparo meus pés com meias confortáveis, fruto da última liquidação de uma loja popular. Faço de minha jaqueta uma manta aconchegante. Então, olho para meu lado direito e vejo uma senhora com o olhar inquieto, tentando fazer da cortina um abrigo.
Pergunto apreensiva: - A senhora está com frio?

Após meu questionamento, percebo que o olhar inquieto da senhora transforma-se em um pedido de ajuda. Onde, ela responde:

- Sim. Estou indo para São Paulo às pressas. Minha filha quebrou a perna! Fiquei tão nervosa que me esqueci de pegar uma blusa.

Imediatamente, caço em minha mochila um agasalho quentinho, algum que por ventura minha mãe gostaria de usar.

- Tome! Use a minha blusa!

A senhora veste o casaco, e este acessório torna-se a porta de entrada de uma prosa que dura quase seis horas. Naquele dia, eu conheci um pouco da Dona Regina que inicialmente era apenas uma senhora com frio dentro de um ônibus lotado no feriado.

Regina me encantou com sua docilidade e amor pelas coisas da vida. Experimentei a receita de seu pão, como um convite para conhecer sua padaria na cidade de Ibiraci. Ouvi algumas de suas aflições, e tentei servir de apoio compartilhando minhas experiências de momentos dolorosos, onde minha vitalidade era recuperada através de algumas coisas: minha mãe; meu irmão; meu trabalho, e agora, o prazer de ajudar pessoas dentro do ônibus.
 

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