Amor de verdade

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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                      Devanir nunca deixou de trabalhar na lavoura por injerir bebidas alcoólicas, porém , quando estava livre, gostava de reunir-se com amigos, também adeptos desta prática social e costumava atrasar-se para retornar ao lar. Tinha mulher e uma filha esperando, mas não se lembrava disso, com as mãos grudadas no baralho e o copo descansando sobre a mesa, entre um gole e outro. Era só entrar em casa, o chinelo, o cinto e outros intrumentos o aguardavam. Apanhava de fazer dó. Por alguns dias, permanecia recatado e sóbrio. Logo voltava aos seus hábitos de consumo compulsivo e descontrolado de bebidas e tudo se repetia. Chegando esta história ao patrão, ele mandou chamá-lo e ameaçou despedi-lo caso ele não revertesse a situação. Ou parava de beber ou batia ele na mulher. O dono das terras era muito rico, sério, muito macho e não permitiria que mulher batesse em homem sob suas barbas, já alvejadas pela idade. Enquanto Devanir saía, cabeça baixa, ele vociferava para ele honrar as calças que vestia.

Na próxima recaída, ao voltar para casa, ele armou-se de um pau e assim que entrou, enfrentou a mulher e deu-lhe uma certeira paulada na cabeça. Ela não morreu ,mas quando acordou ,fez sua mala e da menina e foi embora.

Nos primeiros dias ele sentiu-se aliviado, por ter garantido seu emprego e refeito sua imagem de homem que apanhava de mulher. Não demorou muito para que ele recebesse uma intimação judicial por agressão e outra de pagamento mensal para o sustento da filha menor. Estaria, assim, cumprindo sua obrigação de pai. E até que ela completasse dezoito anos, Devanir trabalhou e pagou. No entanto, sua relação afetiva com a filha ficou prejudicada, pois ela não o ama e só, raramente, conversa com ele.

Quando isto aconteceu, ele mudou-se para longe, livrou-se daqueles hábitos, vive sozinho até hoje , confessa que só amou a sua mulher e sente falta dos carinhos que ela lhe fazia.      

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