Chuva...

Por: Angela Gasparetto

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Acordei hoje e chuva batia na minha janela. Santa chuva! Abençoada.

Depois de dias de calor inglório e sofrimento atroz para dormir, o bálsamo dadivoso caiu na minha cidade.

Peguei meu livro de leitura do mês, virei para o canto e comecei a saboreá-lo ouvindo o barulho da chuva no telhado.
Ah, dias assim fazem você pensar que bom estar vivo. Vivo e com saúde.
Então, você planeja seu sábado da melhor maneira possível. Levantar, tomar uma xícara de café fumegante, pousando sua testa no vidro da janela, observando apenas o trajeto dos pingos que correm.

Penso que a natureza tem caminhos misteriosos, individuais e até egoístas. Ela age; ninguém manda nela.


Suspiro. O silêncio do sábado só perde para o silêncio do domingo, pois não se ouvem buzinas, nem crianças correndo para pegar a van escolar, muito menos o barulho ensurdecedor dos ônibus coletivos.

Na meia luz da copa, sentada, namorando as orquídeas mergulhadas na semi-luz que elas tanto necessitam, penso: “O sossego e paz são os únicos tesouros que a humanidade deveria almejar, mas que por algum motivo obscuro, às vezes busca razões diversas para a felicidade”.

O café acaba e meu filosofar também. Apenas a chuva que é senhora de si continua. Ela tem o seu objetivo traçado que é cair, evaporar, cair de novo sempre e sempre.
Eterna no seu ciclo de dádiva.
 

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