Novos anos

Por: Elaine Narciso

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Ele chegou esfarrapado aos portões de saída. entre a distância da porta de entrada e o portão, havia desistido de tudo.em um segundo suas unhas encardiram. em dois minutos as raízes esturricaram. após quatro passos seus dentes caíram. ele achou uma dentadura no meio da pequena plantação de alhos e colocou-a. estava frouxa. ficou difícil falar...chegando perto de lá fora encontrou uma menina linda e empoeirada de 2015:

- oi

- Oi

- Onde você vai?

- Pra onde o mundo recomeça

- E onde é? no primeiro de janeiro?

- Não. é onde tem um lugar pra lavar o corpo, um fogo pra esquentar o que vou comer e pelo menos uma pessoa, de vez em quando.

Atravessou a entrada, como se atravessa tudo na vida... aos poucos. e foi andando quieto, ouvindo o coração fraco sustentar a caminhada.

Depois de um tempo qualquer, no meio de uma avenida colorida de molhado, encontrou um cachorro vermelho e quase falante. achou aquilo absurdo...um cachorro sozinho no mundo.

- Vem cá, vem...

O cachorro veio, fez carinhos caninos e seguiu com o homem desistido.

Andaram tontos, sem rumo, por dias e dias, dentro deles mesmos.

Depois do agora, os dois bichos cansados encontraram um lugar igual ao que você está. onde se pode fazer as coisas que você pode fazer.

Era 04 de maio. e o mundo recomeçou.

O cachorro dormiu e sonhou com o homem comendo um pedaço de carne suculento. acordou com fome, foi pedir comida, mas, recebeu carinho.

- Tudo bem! - latiu alegre.
 

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