Tempo de madureza

Por: Eny Miranda

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 Para meu pai e seu neto, Carlos Dario

 

Ganhei uma jabuticabeira!
Quero dizer isto, repetidas vezes,
A todos os que vejo
E por mim passam,
E aos que não passam e não vejo,
Mas que comigo se encontram,
Nas falas, nas folhas ou nas telas:
Ganhei uma jabuticabeira
No tempo de madureza,
Este, de açúcares raros,
Chamas extintas
E escassez de verde.
Uma jabuticabeira
Enchendo de vida o vaso
E de esperança a vida.
Uma chave
De abrir o tempo
E cruzar o espaço,
Uma fonte
De calar o verso
E fazer poesia.

Chega-me o filho.
Nas mãos, o velho sonho de meu pai
(Coube ao neto cumpri-lo)
- Tronco e galhos e promessas:
Flores
Que me acenderão os olhos
E me perfumarão os dias,
E seus frutos,
Que saberão a mel de infância.
Em casa, hoje, plantou-se um poema:
Visível, sensível, palpável;
Impresso em folhas vivas,
Perecíveis, sim,
Mas sempre renascíveis.
Erguido em cor, aroma e doçura,
Deus me deu, agora, este presente
Que não sei se mereço:
Semeados na sintaxe do Amor,
Pelo sonho do pai
E pelas mãos do filho,
Deus me oferece,
Em tempo de escassez crepuscular,
Verbo e versos brotando da terra.

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