Mãe com açúcar

Por: Isabel Fogaça

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Ciça é minha avó de coração, pois se casou com meu avô antes do meu nascimento, e se entregou inteiramente à função de vó como se fosse mãe de minha mãe. Foi ela quem deu meu primeiro banho e me conta a mesma história há 24 anos enquanto alisa meu cabelo com o mesmo carinho.

Avós são conhecidas pelos seus méritos culinários, e com a minha não é diferente: ela sabe fazer pão, pamonha, canjica, e doce de leite, tudo muito gostoso, porque além das tradições da roça, ela usa o amor como seu tempero essencial. Avós também são assimiladas às corujas pelo espírito afetivo protetor, e quando minha mãe precisava trabalhar, era minha avó que estava entre os pais me vendo dançar vestida de cowboy na pré-escola.
 
Acredito que cada pessoa tenha um lugar maravilhoso para ocupar neste vasto mundo, a diferença é quanta paixão você coloca em sua missão. Minha avó foi um marcapasso excelente, prova disso, em minha infância, ela segurava minha mão no dentista, e quando ele perguntava qual era nosso parentesco, ela respondia firmemente: 
 
_Ela é minha neta!. 
 
 Vó Ciça veio para somar, e por causa dela ganhei tios e primos com quem dividi uma infância maravilhosa. Minha vó Ciça chorou quando eu passei no mestrado, faz planos para meu casamento, prepara uma marmita com carinho e tampa com um pano de prato bordado quando não vou almoçar em sua casa. Vovó é tão  preciosa e digna de tanto carinho que hoje eu sei que para amar incondicionalmente nesta vida não são necessários laços sanguíneos. Apenas amor, e só.

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