Dia de foto

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

311217

Anos 50, Serra da Canastra.  Família do sêo Ozorino e dona Filocelina Ferreira. Dona Filó aprontou o bebê, chamou os filhos pequenos, pôs sapatos neles, meias, pediu para os mais velhos colocarem terno e gravata.  As duas filhas colocaram roupa de domingo. A mais velha, vestido florido; a mais nova, roupa de bolinha que quase lhe cobria os pés, para esconder as pernas finas.  O pai e o filho mais velho puseram gravata. O terceiro filho, jaquetão de quatro botões, como o do pai. Os três, lenço branco no bolso externo do paletó. A matriarca, discreta, pôs vestido também cheio de flores, de cor clara. Pegou o caçula ao colo, enquanto o penúltimo lhe colava na barra da saia.  O olhar de todos é olhar mineiro, desconfiado.  Os chapéus ficaram no toco, lá atrás. A filha mais velha se tornou exímia costureira,  cuidou da mãe até seu falecimento, aos cem anos de idade. A mais nova aprendeu cedo a profissão de cabeleireira, que ainda hoje exerce com competência.  Todos se destacaram ao longo do tempo pela aguçada inteligência. Entre eles há médico, físico nuclear, dentista e engenheiro.   Talvez fosse domingo, o dia da foto.  Talvez fossem ou tivessem vindo da missa. Seus nomes, por ordem de nascimento: Eurípedes, Divino, Alda, Olegário, Edina, João, Juarez, José. 

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