Palmeirinha

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Meu pai e Palmeirinha mantiveram caso de amor durante anos. Minha mãe, enciumada, exigiu: ou Palmeirinha ou eu! Como já havia uma filha na jogada e outro bebê a caminho, ele decidiu, embora sofresse muito: a família, em primeiro lugar. Abandonou o futebol quase profissional para estudar. Continuou amando o esporte e só o deixou ao se apaixonar pelas pescarias. Papai foi homem de grandes paixões. Diferente da maioria, não as acumulava, era um amor de cada vez. A foto, reprodução de time antigo do Palmeiras Futebol Clube, é cartão postal, que as pessoas compravam e guardavam como recordação ou enviavam para amigos distantes. Está assinada por Jair, fotógrafo lambe-lambe, outro ícone francano. Time de craques: Paulo, Zezão, Joacir, Nicolino, Marreta, Ferrante, Otávio Cabelo, Maurílio, Pacu e Nenzinho. (Na foto, meu pai está em pé, à direita.) A torcida ia de paletó e gravata assistir ao jogo e torcer; mulheres não eram bem-vindas no ambiente, exclusividade masculina.  O campo do Palmeirinha, palco histórico de muitos acontecimentos esportivos e culturais  ainda existe, resiste  e é reverenciado por e pelos francanos que passam sob as majestosas palmeiras imperiais de sua calçada.   Em 25 de dezembro de 2017 o clube Palmeiras Futebol Clube completará seu primeiro centenário e no dia 25 de maio do mesmo ano, o campo do Palmeirinha chegará aos 70 anos de idade. Local histórico. Tomara que seja preservado, contrariando a prática da cidade de destruir suas memórias. 

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