Mulher

Por: Eny Miranda

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 Venho de muito longe,
Tecendo imagens, gravando enredos,
Urdindo tramas na fluida malha da vida.
Nas linhas de meu rosto, o tempo escreve poemas
Novos e antigos.
No lago de meus olhos, rios mergulham seus sóis,
E mares deságuam seus sais.
Boiam oceanos inteiros no cristal de minha lágrima.
Minhas águas são fonte, destino e desatino;
Ânsia e prazer; instante e história.
Sou angra por mil ventos recortada.
Nas curvas de meu corpo caminham desejo e suspiro
- sumo de carne e de alma.
Toda a poesia do mundo cabe nas veredas de meu corpo.
Nos abismos de meu ventre a vida se reescreve.
Sou sangue, leite, mel e sal; luz e mistério.
Vasta é a minha missão,
Longa a minha jornada:
Travessia de altos mares...
Entre Aves e Adeuses,
Pérolas, pedras, vórtices, vagas;
Sóis, nimbos, silvos, salvas;
Silêncio, espuma...
Abro caminho.
Prossigo
Na graça e na arte de ser mulher.

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