Manhã menina

Por: Eny Miranda

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O Sol, preguiçoso, acorda e espia
Entre nuvens, chuva e cinza.
Vê a Terra encolhida, escura, sem vida...
E decide espalhar alegria no mundo:
Estende os braços, expõe-se no espaço,
Derrete a noite,
Inventa a manhã.

Os pingos da chuva se enchem de brilho
E rolam, brincando, nas telhas, nas ruas...
Nas poças se aninham e se cobrem de luz.
As gotas suspensas na borda das folhas
Engrossam o corpo, alcançam o vazio,
Vacilam, se estiram...
E se deixam cair.
E explodem no verde em mil fragmentos
Que, soltos, se espalham
Na grama, nos ares, nas flores...
Refletem as cores, repartem a luz.

As nuvens se esgarçam,
Azula-se o espaço.
As gentes sorriem,
As flores sorriem
E por mil beija-flores
Se deixam beijar.

A vida é perfume, é mel,
Cor de asas
Dançando entre os montes,
Os campos, as casas...
A vida é menina
Dos olhos do Sol
Que ilumina a manhã

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