O que aprendo com as mais diversas mulheres que conheço

Por: Isabel Fogaça

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Recentemente conheci três mulheres de lutas diferentes, uma história se conecta com a outra porque convivem no mesmo ambiente, porém, cada uma possui uma luta, e o que eu aprendi com isso é o que vou compartilhar hoje com vocês.

V. é aluna de uma instituição de pessoas com deficiência, recentemente ela foi mãe, muitas pessoas preocupadas disseram que V. não daria conta de tanta pressão e responsabilidades. Hoje sentei ao lado dela e de seu filho que tem um pouco mais de quatro anos. Enquanto o menino brincava na areia, ela olhava para ele às vezes com preocupação, e outras vezes com muito amor. Enquanto eu observava aquela situação, tentava entender como era a rotina dos dois, tentava buscar dentro de seus olhos um pouco do que ela sentia por ser mãe, solteira, e deficiente.
 
R. tem 56 anos, decidiu não casar e não ter filhos. Ela é professora na escola de V., mora sozinha, e cuida de cachorros de rua. Olho para R. e escuto um pouco sobre sua rotina, recentemente ela construiu sua casa, comprou seu carro, e luta pelos animais. Tudo me faz crer que ela é muito feliz sozinha, e não viveria de outra forma.
 
M. é diretora da instituição onde V. estuda e R. trabalha. Ela é separada e tem dois filhos. Usa o cabelo curto por causa do calor, gosta de vestidos floridos porque evidenciam felicidade, além de ser muito competente profissionalmente. A sociedade diz várias coisas sobre M. mas ela não quer saber, recentemente começou aulas de dança de salão, mesmo sem ter um par, vive da delícia e da imprevisibilidade de cada dia conhecer um alguém novo, e consegue tirar beleza disso.
 
Três mulheres, três histórias e lutas totalmente diferentes. Não existe padrão dentro disso, apenas a busca de conforto e felicidade. Fico feliz quando escrevo sobre as mulheres que conheço porque ganho força para continuar sendo o que tenho construído, sei que não pertenço ao padrão, e a beleza está justamente no crescer sem o sacrifício de tentar ser o que não é.

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