CORPO

Por: Maria Luiza Salomão

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São dez que me plantam
São dez que se multiplicam:
em toques, apertos, acenos;
pianos, violões, flautas,
em pautas dedilham
sentidos e sons.
Duas me locomovem.
Dois se estendem, alcançam,
giram e dançam.
Dois descobrem, dormabrindo, fechabrem,
piscam e reviram, olhando olhados.
Duas ponteiam sussuros e os gritos,
vibram sem filtro o mundo tagarelante.
Um só se inunda do estrume e do jasmim,
não barra o invisível capaz de memória sem fim.
Ela faz a faz e faz i faz o faz u
morde, come, vomita, intriga, fascina e seduz:
dela saem céus e infernos aéreos musicais.
Toda uma extensão me contém e repele:
arrepia, retrai, estica, envelhece, enruga e tem cor ...
Molas articulam, dobram, contraem, projetam,
Precisas, desajeitadamente.
Há mistério no mar das entranhas,
cavernas ocas e opacas, maquinário no stop.

Até que...finda o milagre...acaba-se a história
Só... a Alma para se contar.      

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