Se você ama a vida...

Por: Isabel Fogaça

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Minha mãe plantou um tomateiro e ele ficou tão grande que quase tampou a janela da cozinha por completo. Porém, o danado deu apenas um fruto, e logo depois secou. Concluímos que a vida de um tomateiro é muito curta,  comparada à humana, mas é necessária. Então, se o homem precisa do fruto para sobreviver por que ele não dá valor às plantas?

Cresci na roça, no meio das plantações e dos bichos, e quando eu era pequena meu irmão tinha uma galinha que se chamava Gabi. A Gabi morreu de velhice, e fizemos um funeral com muitas lágrimas em nosso quintal. Nunca passou pela nossa cabeça fazer uma canja ou uma galinhada justamente porque a vida da galinha era importante. Mas por que o homem não dá valor à vida dos animais?
 
Meu lema é amor à vida, e não só a minha vida. Por isso, não compactuo com idéias fascistas, não como animais, e prezo pelos alimentos cultivados com amor e sem veneno. O homem erra ao pensar que o amor real é apenas o amor próprio, e o mundo está em guerra porque não se sabe respeitar o espaço do outro seja ele humano, animal, árvore, fruto ou flor. Nasci sabendo que não sou proprietária de nada. Tiraram-me do útero aconchegante e quentinho, e cortaram meu cordão umbilical. Fui jogada no mundo sem certeza nenhuma, e o que me tornou a mulher que sou hoje foram os alimentos que comi, as pessoas que amei, a terra onde cresci e os animais que prezei.
 
Penso que não sou o topo da cadeia alimentar, e que todos os animais são necessários no mundo. Se posso comer tomates, abóboras e folhas de couve sem venenos plantados no meu quintal, por que matar? Não entendo porque invadir o espaço do outro na natureza. A paz é a sintonia entre todos os elementos da Terra e para que isso seja possível é necessário deixar outras espécies viverem.

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