De volta para o futuro

Por: Joseane Barbosa

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Cinema & Psicanálise do mês de maio convida-nos a assistir ao filme De Volta Para o Futuro (1985),do diretor Robert Zemecks. É um clássico moderno, prazeroso, instigante.

Atendendo a perguntas básicas de como seria viajar no tempo, qual o papel que as intervenções do passado teriam no presente, como identificar as raízes de como é o  mundo presente oriundo de um mundo passado, como transitar em tempos diferentes de um “eu” que pode se transformar a cada momento e outros questionamentos na mesma linha, o filme nos apresenta alternativas ricas para entretenimento e reflexão.
 
De forma lúdica e com ação leve e ágil, o filme apresenta como protagonista um adolescente típico dos 80/90) e de todos os anos, afinal):  alguém que procura uma melhor versão de si mesmo, tentando alargar suas experiências, tidas como aventuras, uma vez que não sabe ou não imagina onde possam acabar.
 
O jovem Mcfly objetivamente viaja ao passado, antes de sua própria existência, e presencia o ambiente propiciador de seu surgimento. Entre atitudes amorosas, assustadas, apreensivas e estabanadas, ele  procura não atrapalhar seu próprio nascimento em um passado que um dia será seu futuro. É uma situação sugestiva de muitas indagações.
             
A psicanálise contempla a cultura buscando simbologias e significados. Em um filme como este podemos identificar muitas linhas de pensamento esclarecedoras de nossas inquietações humanas.
             
Uma delas poderia ser, por exemplo, a construção que a juventude faz da noção do tempo. De um padrão inicial de deslocalização temporal (onde não há uma referência interna de longo, curto, duradouro, rápido, intenso, fugaz) o adolescente passa a colocar-se dentro de um fazer ritmado, a seu modo, com atendimento de seus anseios. Com constantes contrapontos entre o futuro que está na mente de Mcfly e o passado-presente com o qual contracena, nosso jovem defronta-se com as linhas de causas e conseqüências que formam nossas ações e nossos valores.
             
Um outro mote capturado pelos ensaios psicanalíticos pode ser a necessidade de autoria sobre sua própria identidade que o adolescente tem. A posição inicial de Mcfly é de descontentamento com sua vida presente. Está mal colocado socialmente, não decola, seus pais e irmãos são passivos e desinteressantes. O filme traz fantasias de mudanças possíveis e que atenderiam a sentimentos de triunfo e revanche. É interessante perceber como o personagem visa um equilíbrio entre respeitar os seus desejos e respeitar as histórias das pessoas que estão à sua volta. Observar as artimanhas do inquieto visitante do futuro é encantador.
           
Em um momento de altos contatos com a tecnologia, como este em que vivemos, a trilogia apresentada por De Volta Para o Futuro revela também sua interpretação ficcional sobre as mudanças. Cada alteração no passado reverbera em fatos do presente, modificando-os de forma original e sem controle. Há, nesse sentido, um confronto de desejos onde querer uma transformação vai relacionar-se também com o desejo de cada “outro” que estiver na fileira de nossas relações. Ao ressaltar as interdependências o filme reapresenta o meio social vivo ao adolescente pesquisador. 
             
Teremos como palestrante a psicanalista em formação Carla C. Pierre Bellodi da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto. O evento ocorrerá no Centro Médico de Franca, a partir das 14h30 deste sábado, 14 de maio de 2016.

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