Sinto saudades dos anos 80

Por: Angela Gasparetto

320716

Esta semana retornando do trabalho e ouvindo uma antiga música do Kid Abelha, novamente voltei a sentir isto. Que tempo bom, pelo menos em minha opinião.

Recentemente, vendo a volta do RPM, novamente meu coração se acelera e tenho a certeza: que saudades dos anos 80! Tempo bom. Geração boa. Diziam que alienada. Que nada.

Pelo menos eu não era...

Junto com o fervor político, o sonho petista (que agora já se esvaeceu), a admiração pelo “Solidarnosc" (Solidariedade em português), Sindicato Autônomo da Polônia, tinha eu um coração saltitando pela tímida abertura política e pelo rock emergente que começava a despontar no Brasil.

Som bom. Som novo. Alegria no coração.

Vestia uma camiseta com as escritas do “Solidarnosc" e meus pais receosos por tudo, diziam: “Cuidado, é perigoso”. Perigoso que nada. Era tudo romântico. Éramos uma geração que podia, naquela abertura política tão precoce.

“Diretas já”! O movimento político que gritou pela democracia! Nós acreditávamos.

Ao som de “Um novo tempo”, de Ivan Lins, gritávamos pela nossa crença! E cantamos Milton Nascimento e fomos mais convictos.

Acreditávamos no sonho inicial da democracia. Fora o aprimoramento da Constituição Brasileira em 88.

Na onda do rock nacional, a gente ouvia “olhar 43”, “Noite do Prazer” e depois “fazia amor de madrugada, amor com jeito de virada” como dizia a inocente música do Kid Abelha.

Cortava o cabelo arrepiado, jogava um gel, e pulava ao som de “Baby Jane” de Rod Stewart. Belos corações despedaçados.

Saudosismo natural. Afinal todo mundo sente saudades da juventude. Do “seu tempo”. Quando eu tinha vinte anos, desejava ter vivido nos anos 60. Admirava aquela década. Os movimentos. A música. A transformação. E pensava comigo que minha geração era tão sem graça.

Mas basta passar uns bons 25 anos da sua vida e você começa a achar tudo o que viveu maravilhoso.

Tem de gostar da sua geração. É necessário para sua saúde mental...

Para mim pelo menos era emoção pura, sonho puro. Música pura. Por conta disto, demoro muito a gostar do que ouço e dos movimentos novos. Parece que tudo é uma imitação do que já foi.

Perdoem-me os novos, o meu sentimento é que mudou.

Fiquei obsoleta!!! (risos) Obsoleto neste caso é quem olha para trás e demora muito a gostar do que vê pela frente.

Eu olho, leio tudo e vejo tudo. Mas meu coração continua a vibrar naquela emoção de 25 anos atrás.

O tempo passou, eu sei. Mas o sentimento da juventude é único e incomparável.

Saudades. Saudades dos anos 80.  

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