Feelings...

Por: Maria Luiza Salomão

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Tem dia...que só Deus!  Assim dizia minha sogra e amiga D. Zarife.  A gente acorda, faz tudo igual, mas vem uma avalanche de coisarada ruim, no repente. O computador com vírus parece gripe forte, tipo H1N1. Vem o técnico e formata, leva um punhado de dias arranjando, e, quando volta a gente estranha tudo nele: pastas fora do lugar, sumiram arquivos? a gente fica no terror...

Depois, os prazos para anteontem – dia de entregar o texto para o jornal, etc., e o mundo acaba no computador faltante.  O notebook treteia, a internet cai-não cai-pisca e volta. 
No trânsito, tartarugas; homens e mulheres-de-Neandertal.  A gente, de repente, se sente fora do ar, feito o computador, com vírus.  Que vírus é esse? 
 
Entra na loja para comprar presente para amiga e se lembra de mais três. Esquece uma calça na loja, que comprou por  precisão, mas já está arrependida. Com o pouco tempo, ainda volta à loja para pegar a calça paga. Coisa boa, a dona da loja honesta! Afinal, tudo podia ser pior!  Isto a gente pensa depois de passado o inferno na terra.   
 
A comida que a gente cozinhou queima; o almoço dietético mia. OU seja, quebra a dieta, e dá-lhe culpa. Do quê?!? 
 
Vai desgovernando o tempo medidinho para o que é preciso.   
 
Chega o final do dia da coisarada ruim, tudo tem seu fim. Cá estou a escreveire, como diria a portuguesa.  Hora de peneirar os sentimentos –estou sobrevivente, pois que escrevo, mas quanta coisa na peneira! Blocos grandes de pensares e sentires, necessitando não de computador, mas de mais alma. 
 
A alma está desalmada, deu vírus na alma também.  Respiro fundo, tri-respiro, e mais fundo. Hora de meditar: deixar as conexões correrem fluidas, barquinhos flutuantes no rio, olhos hipnotizados pelas chamas da fogueira, mergulhar os pés na enxurrada, colar o rosto na janela e contar os pingos da chuva, desenhar no vidro esfumaçado com o hálito da respiração, pisar na grama, absorver o cheirinho de chuva-terra, correr ao léu, sem saber para onde, deitar na rede, deixar o vento me acariciar, amar as nuvens, namorar a lua, será que não tem algum vagalume voando por aí?   Hora de criançar.
 
Um jeito de espantar coisarada ruim: computador, prazos, polícias internas perseguindo, caras feias, má educação no trânsito, na fila, na esquina...corrupções nacionais. Individualismos de toda ordem. 
 
No particular, desacertos difíceis de consertar, que não se tem a menor chance se, acaso, tentar.  Nem falo de política, do Cunha na TV desenvolvendo verve tranquila, de quem nunca fez nadica de errado na vida! A gente engole seco, com farofa, no deserto. 
 
Hora de criançar: sentidos mobilizados: o importante não é fazer: é sentir: imaginar: brincar. O barquinho se vai para Pasárgada, o trem apita na curva para fazer bonito na paisagem, a chuva abençoa o dia, a fogueira brilha, aquece para não se pensar em solidão desamparo desalento. Acaba-se descrença cinismo desesperança. O mundo sou eu. 
 
Eu sou o mundo, e, no meu mundo, eu era rainha. Acabou-se o que era azedo. Todo o mundo, todo meu mundo, virou doce. Acaba-se o dia, viva a alegria! Amanhã tem mais, eu sei, mas será crescida manhã... 

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