Maíra

Por: Isabel Fogaça

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Maíra é um camaleão de emoções, delicada e turbulenta na mesma embalagem. Forte, independente e também uma flor delicada. Ela foi embora da cidadezinha para construir a vida no caos. Curiosa e cuidadosa, onça pisando devagar no mato atrás da presa. Ouso traduzir a mulher mais ousada.

Meu amigo me disse que não deveria haver preocupação ao escrever poesia, nunca fui boa nisso, mas ele me convenceu que poesia é coisa vinda do coração, e não se devem contar as letras, os parágrafos e somar as rimas, deve deixar ir, feito caravela na brisa do mar. Maíra é poesia sem padrão e sem esforço, ela nasce por acaso na madrugada de uma terça-feira na cabeça de um  poeta, ela é a brasa da fogueira que vira a noite queimando.
 
Gosto de gente que gosta da vida, e por isso sinto um estranho afeto por Maíra. Por um trocar de letras ela seria Maria  mas Maria é comum demais, e onde Maíra não se adequa é no comum, no simples, no banalizado. Maíra é a aranha que depois que ama engole o parceiro. Ela é a cerejeira em flor no meio do caos, é a estrela cadente no escuro do quintal, é daquelas que a gente observa sozinho e sorrindo.
 
Maíra disse que não quer mais voltar  pro sertão, mas não sabe quanto tempo aguenta no caos. Conhece centenas de pessoas, tem milhões de afazeres, e algumas mágoas guardadas, por isso não volta pra cá, pro lugar de pessoas comuns, mas eu digo, menina, se quiseres voltar, te ajeito aqui num cantinho.

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