São João

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Chegava o mês de  junho e com ele, o frio. A plantação de  milho se tornava exuberante, as famílias de juntavam para produzir, em mutirão,  pamonhas e curau, produção da qual até as crianças participavam. Era tempo de homenagear três santos – Antônio, santo casamenteiro com fama de homem bonito; João Batista, patrono do cristianismo e  Pedro, fundador da Igreja Católica. As homenagens a eles constituíam o mais alegre ciclo de festas populares brasileiras que, embora consideradas religiosas, têm origem pagã. Além da produção de cenários  específicos nas ruas, clubes e casas através de bandeirinhas multicoloridas e mastros que suportavam as figuras dos três santos colocadas no alto, fogueiras eram acesas, o som de alegres músicas enchia o ar, barulho de rojões e foguetes eram ouvidos e as pessoas se transformavam, ao vestir roupas de cores alegres e vibrantes. Essas festas aconteciam no Brasil inteiro e todos participavam delas, adultos, crianças e jovens. A comida basicamente era produzida a partir do milho e amendoim. A alegria era contagiante e, democraticamente, igualava as gerações. Dançava-se ao som da sanfona a quadrilha, herança que os colonizadores  portugueses nos legaram. Dançava-se xote, baião e xaxado. A mais vibrante era a realizada na véspera de 13 de junho, dia de Santo Antônio, o casamenteiro,  instituído como Dia dos Namorados. A mais animada das festas, a de São João,  a 24 de junho, a noite mais longa do ano. E a mais importante, a de São Pedro, dia 28 de junho, que encerrava o ciclo de homenagens. Atualmente a maioria das festas juninas que mantêm essa essência, são as realizadas no Nordeste e as manifestações vão-se transformado à medida em que nos aproximamos do Sul brasileiro. A música folclórica é substituída pelo som de músicas norte-americanas; tranças e chapéus de palha por chapéus de couro; roupas coloridas, por roupas também de couro; sapatilhas e botinas, por botas de caubói; o cenário sob luar, por luzes de holofotes coloridos e a quadrilha que ora se dança,  tem coreografia mais complicada e muito barulho de saltos que marcam compassos. Em resumo, a festa junina se torna country e nela se toma whisky, ao invés de quentão.  São os novos tempos. 

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