Melhor é Impossível

Por: Fátima Cassis

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A experiência de amar, como podemos observar no dia a dia, não é um longo rio tranquilo. Porém, viver fugindo do amor e de suas complicações emocionais, pelo medo dos riscos de se entregar e se expor, certamente resulta num adoecimento emocional e mental importante, como nos apontou Freud e como podemos ver no filme Melhor é impossível. É isto, justamente, o que ocorre com o seu protagonista, interpretado pelo magnífico Jack Nicholson e que poderemos acompanhar de perto neste sábado, dia 18 de junho, no Centro Médico de Franca, com a exibição do filme e os comentários da médica e psicanalista da Sociedade B. de Psicanálise de RP, Fátima M. Cassis Ribeiro dos Santos.

Trata-se de uma estória sensível e divertida que dá visibilidade à complexidade do sentimento amoroso, ao revelar as estratégias ou táticas obsessivas de um homem de meia idade, que tenta continuamente afastar de si mesmo toda forma de intimidade.  Haverá algum sentimento mais pleno de contradições e equívocos do que o amor?  
 
 Melvin, o protagonista do filme, é especialista em provocar desencontros através de seu afiado senso de sarcasmo, que consegue ferir as pessoas todas as vezes em que ele abre a boca. Mesmo sendo um famoso escritor de romances que encantam as mulheres, ele nada sabe sobre o amor, vivendo  isolado e solitário. Ninguém o suporta.
 
Assim como ocorre com ele, sabemos que hoje se fala muito sobre amor, mas pouco se experimenta de fato, pois um amor é antes  de mais nada uma construção a dois que exige tempo, dedicação e o aprendizado de irmos além de nós mesmos. Não é um objeto encantado que achamos em algum lugar.
 
Quando nos propomos a viver e compreender o amor que nos une, precisamos igualmente aprender a explorar e conhecer os abismos que nos separam. E se na atualidade a mentalidade dominante é agir por interesse próprio, o ato de amar torna-se uma verdadeira experiência transgressora. 
 
Na estória do filme, Melvin não sabe o que é ir além de si mesmo. Sua fúria constante é não ser atendido em suas necessidades imediatas.
 
 Ele somente encontrará uma ponte para o mundo humanizado dos afetos, ao se confrontar com sua enorme fome de amor, travestida em  uma necessidade bruta e uma dependência absoluta  de ser servido sempre num restaurante  por uma única garçonete. O drama de um vizinho e a presença imprevista de  cativante e esperto cachorrinho também abalam as barreiras autistas deste homem.  
 
Convido a todos os leitores a assistirem conosco a mais este interessante filme e participarem do debate propiciado pela sessão de Cinema e Psicanálise de Franca. Vamos compartilhar nossas reflexões sobre esta estória; afinal de contas, nossas maiores dores não estão ligadas, aberta ou veladamente, ao amor?

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