corações noturnos

Por: Mirto Felipim

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chegamos ao fundo
que o poço não tem previsão
do fim que é o começo noturno
da ave esmagada pelo não

salvemos um pouco do possível
que a mira faminta almeja
da vida a parte perecível
que o lobo da paixão esquarteja

chegamos por fim ao começo
que a tragédia não dissimula
e a face pálida de gesso
corta o gesto e se anula

não seremos nós o futuro
que a mentirosa serpente enobrece
nosso ato é um drama obscuro
que a parca trama empobrece

chegamos ao fundo do sonho
e ele não ressurge à margem
apenas se faz mais medonho
que a falsa paz da miragem

e vamos rondando a carniça
que ficou de nossas ilusões
perdidas na alegria postiça
que dopa nossos corações

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