Familiar

Por: Débora Menegoti

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Presa a este corpo, nessas roupas,
olhar frouxo,  vou. Trabalho  automatizada.
Angústias, desejo de aprovação, revolta, auto cobrança
espreitam-me, estreitam meus passos.
Sigo até  o profundo em mim. Soluçado choro.
Posso, sem armas, lutar?

O que são meus inimigos?
Cala teu nojo e  engula a fala.
Deus é tardio em irar-se.
Peço que o relógio marque logo seis
mas Jesus deu um barraco certa vez.
 
Não, o Tempo e o Amor brincam com a Justiça
mas justo mesmo é Deus
e essa maldita calça.
Me  ferem de tão justos.
Dá tempo para acusações mordazes 
embebidas de preconceitos e ciúmes.
Palavras grandes soltas de graça
fantasiadas em cafezinhos e pedaço de bolo.
 
Só meus maus poemas e a alucinação da espera
Me  revelam: tudo superem, filhas minhas...
...não do mundo, nem de todas vocês juntas.
Mas tem espaço para todo amor.
Guardem suas espadas, emagreçam sua raiva,
ela está se misturando à antiga dor.
A oportunidade faz o ladrão, não?
Não, a falta, a necessidade, ajudam.
Dilacerações psíquicas são às vezes irreversíveis.
Cuidado!
 
Em vão tento me reaproximar.
Sua justiça é um muro chapiscado 
abstrato e substrato orgânico.
Não me fere, aduba minhas flores.
Não combinamos considerações enfáticas
mas reconsidero que o sol me aquece. 
O mesmo calor se estende até vocês 
doentes de justa causa
enquanto recordo Chaplin: 
"A casa segundo podemos mudar nosso futuro"
Meu futuro já começou. 
   

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