Aqui e do outro lado do caminho

Por: Angela Gasparetto

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Quando a sensação vem, eu fecho os olhos e me reconforto.
É um sentimento reconfortante que me toma e leva-me para uma atmosfera serena, para um recanto de aconchego.

E uma sensação de paz suprema, à qual descobri bem cedo na vida. Sensação feita de momentos, de lugares, de pessoas ou ocasiões.

Quando as pessoas inseridas nestas sensações se foram, restou apenas a brisa leve deste sentimento.
Acredito que estes recantos de paz encontram-se na mente de qualquer um. Mas são as ocasiões e os lugares que, se materializando, tornam possível uma ponte de sentimentos.

Quando os sinto, todo o meu ser se reconforta ,tudo tem um sentido claro, tudo fecha no ciclo suspenso da eternidade.

Aquele gramado verdinho dos desenhos do Mickey, do Pato Donald e da Mônica, aquelas casinhas todas simétricas, limpas e aquele sossego dos campos que os personagens brincavam, me transmitiram uma sensação de paz, de mundo perfeito, de felicidade de primavera, de volta para casa.

Da volta para casa vazia do meio da tarde, da leitura solitária que tanto amei, dos cadernos na bolsa, das meias ¾ já desalinhadas e dos trilhos pelos quais cortava caminho, tudo isto trazia uma felicidade infinita de meta cumprida, de aconchego à sesta ou do encontro com minha mãe que passava o dia todo fora.

Então, recentemente, em uma viagem ao Nordeste, estive em um resort que como todos os outros, têm que primar pela beleza da natureza. Lá caminhando desavisada, encontrei de novo a sensação de felicidade, construída de uma tranqüilidade especifica, de clima ameno, de verdes campos, de vida perfeita. Desta perfeição isenta de problemas e repleta de proteção.

Ultimamente tenho feito uma analogia entre a vida e a morte.

E quando estas sensações únicas me acometem, eu penso, sem morbidez alguma, que apesar de esta vida ser bela, acredito que aquela após morte deve estar repleta deste conforto natural, desta perfeição divina, desta tranqüilidade de metas cumpridas.

Repleta de campos verdes, de silêncio de fim de aulas, de bancos de madeira no caminho, de sombras de árvores solitárias.
Acredito piamente. O sentindo da vida só pode existir mediante este conceito de paz.

De fim de ciclos emocionais. De fim de ciclos existenciais. De recomeço de aceitação da finitude.

Então, quando mais avanço na maturidade, mais estas sensações subjetivas e reconfortantes que conheci ainda na infância, traçam uma ponte atemporal através destes lugares e ocasiões.

E vejo que a vida te estende uma estrada e esta estrada te reencontra do outro lado do caminho.

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