Exaustão

Por: Luiz Cruz de Oliveira

330456

Sua ausência adormece as cordas do meu violão, enquanto seu riso promete amanhã e presença.

Febril, eu garimpo e garimpo.
 
Sento-me aqui no quintal, debaixo da mangueira, à sombra da lua cheia que me queima pestanas e espírito; garimpo e, durante horas, enterro a bateia na água, levanto-a cheia de ganga, vou lavando o conteúdo até que só restem cascalhos. E, nada. Não há luminosidade nem esforço capazes de quebrar o sono deste braço de violão que hiberna e não escuta os gritos de meus dedos.
 
O calor que emana ainda de meu peito não transpassa a madeira, não alcança as cordas que, para ela, teciam canções e perfumavam desejos.
 
Garimpo febril. Garimpo e não acho senão turmalinas. A fonte se esgotou. Parece-me que aqui jamais acharei de novo diamantes. Braços, mente e alma extenuados, abandono o rio e a bateia.
Desisto, volto pra casa.
 
Olho para o retrato que sorri, releio poemas inacabados que também dormem nas gavetas. Aliso, como se acariciasse cordas de instrumento, as lembranças que o tempo espalhou e esqueceu pelos cantos da casa.
 
Tudo parece presença, mas tudo se exauriu e se exaure.
 
A esmeralda que resta aqui é este cheiro de mulher que impregna meus lençóis.
 
Ou minha mente.

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