Lendas e misticismo

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Stonehenge e Glastonbury são dois dos nomes de lugares ingleses que evocam Rei Arthur, Merlin, Morgana, Morgause, Guinevere, druidas.

Nomes mágicos, de lugares quase vizinhos.  Stonehenge é estrutura composta por círculos concêntricos de pedras que teve sua construção iniciada, calcula-se, no ano 3100 a.C..

Ambas estão situadas na mágica região que constitui a lendária terra ou ilha de Avalon, onde Excalibur, a espada do rei Arthur teria sido forjada e para onde o próprio rei voltava sempre que precisava se recuperar de ferimentos.

Em Stonehenge, a magia vem do fato de que ali aconteceram batalhas, rituais celtas e persiste o indesvendável mistério da disposição das pedras que obedecem precisos cálculos de solstícios e equinócios.

Glastonbury, pequena cidade medieval reconhecida em 1191mas fundada muito antes, está situada no sudoeste da Inglaterra, em Somerset, e tornou-se ponto de peregrinação importante no Ocidente desde a Idade Média É o local onde se encontram enterrados santos da terra como São Patrício, São David e Santa Brígida e onde também poderia estar escondido o Santo Graal.

Em 1979 a americana Marion Zimmer Bradley lançou os quatro volumes de As Brumas de Avalon, em inglês The Mists of Avalon, que fez sucesso e estimulou muitos leitores espalhados pelo mundo a conhecer essa região inglesa.

Uma das lendas conta que José de Arimatéia, tio de Jesus, teria vindo para Glastonbury logo após a morte do sobrinho e com ele trouxe o Cálice utilizado por Cristo na Última Ceia. Conta-se que o Cálice está enterrado em algum lugar debaixo da colina The Tor, que domina a cidade. Conta-se que em sua estadia na cidade, José de Arimatéia, por algum motivo, teria ficado bravo e fincou com força seu cajado no chão da entrada de um santuário.

O cajado tornou-se árvore que dá frutos ainda hoje e, misteriosamente, apenas no Inverno, quando a neve cobre tudo. Destaque na brancura da paisagem, de se notar a árvore, coberta de folhas verdes e cheia de frutos vermelhos.

Outra atração mística de Glastonbury é a fonte Chalice Well, de onde jorra e escorre água vermelha saída da terra. Diz a lenda que Morgana era a sacerdotisa que curava doentes e todo seu poder vinha da fonte cuja água era milagrosa.

Chalice Well é a fonte de Morgana. Tudo indica que a água é vermelha pelo alto teor de ferro que possui, o que a torna potencialmente curativa. Explicação fria, pragmática e cartesiana. Quem vai lá e toma da água, lenda ou não, sente-se revigorado e imagina que a própria Morgana estava no local curando os simples mortais, como ela fazia com o Rei Arthur.

Se a água é milagrosa, não há prova, mas lendas existem tão somente para desenvolver nossa imaginação. No final, para mostrar sua versatilidade, é uma das duas cidades inglesas onde são realizados famosos e concorridos festivais de rock. Em Glastonbury, curiosamente, os palcos são montados no espaço onde supostamente Rei Arthur teria sido enterrado.

A outra cidade é a que fica na Ilha de Wight. Na Inglaterra, pelo visto, tudo termina em rock.
 

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