Retribuição

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Elisa, hoje, vive às voltas com seus cinco filhos e as crianças com as quais convive, diariamente, em sua profissão de médica pediatra. Seu coração se enternece diante destes inocentes, lépidos, afetuosos meninos e meninas. Desdobra-se para amenizar a dor e o choro e colher um sorriso num rostinho triste. É uma mulher bem resolvida, do seu tempo, atuante no meio social onde vive, levando seus conhecimentos e experiências à escolas, organizações, entidades e publicando na internet textos informativos sobre cuidados com os pequenos. É admirada e querida por seu temperamento amistoso e exemplar simpatia. Como teria transcorrido a vida de Elisa se ela não tivesse sido adotada por um casal justo, belo e verdadeiro?

Levada a um orfanato por meios legais, demorou para ter um acolhimento digno e respeitoso. Passou por diversas famílias que não se identificaram com ela e voltava, sempre, ao ponto de partida, sequer compreendendo aquelas idas e vindas. Somente aos seis anos encontrou um lar definitivo, onde foi recebida com amor e criada com seriedade. Nos primeiros dias, só chorava e não queria se alimentar. A noite lhe era estranha, dormia mal e, durante o dia, gritos expressavam a dor do abandono. Seus olhinhos não tinham brilho, sua respiração era arfante. Tinha dificuldade para articular as sílabas e enunciar frases inteiras, expressando medo por uma possível punição. Foi preciso muito carinho e paciência para ela se adaptar ao novo ambiente.  

Mas, corações generosos transbordam de amor e benevolência. Envolvida em cuidados necessários, foi crescendo e desabrochando como uma flor, com graça e colorido, chegando à juventude num esplendor de beleza e meiguice. Orientada nos valores espirituais e rodeada de amigos tornou-se uma pessoa amorosa, demonstrando carinho e alegria pela sua vida. A rejeição sofrida na infância foi anulada pelo calor humano recebido.

Os seus pais sentem-se extremamente recompensados em oferecer à sociedade uma pessoa feliz, ajustada e interessada em melhorar o mundo em que vivemos. Diante da energia e vitalidade dos netos, que darão continuidade a estes ideais verdadeiros, concluem que foi muito válida a opção de adotar aquela menina abandonada, tão sem esperança, tão injuriada pelas circunstâncias da vida.                           

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