A Flor do Meu Segredo

Por: Joseane Barbosa

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Como lidar com a marcação contundente da dor? O estampido estremecedor de um bate-estaca que constrói um edifício pode dar o embalo; o ritmo pungente de um sapateado flamenco também.

A película A Flor do Meu Segredo acompanha um momento de crise de uma escritora espanhola. Vivendo dolorosamente instantes de perdas e confusões, Léo Macias, uma autora de romances comerciais, percebe-se encarcerada em um pseudômino. Em um forte relance vê que há um manto que encobre vários aspectos de sua vida e não somente o profissional: é uma “fake” também como mulher, como filha, como “dona de sua casa”, como amiga, como irmã. Precisa sair (ou entrar?) em busca de si mesma. Refere-se à vida chamando-a de “cruel, tão paradoxal, tão imprescindível.”
 
Este filme de 1995, dirigido pelo diretor espanhol Pedro Almodóvar, faz um passeio por simbolismos, chamativos e poéticos. Seguindo um voleio que traz imagens de vasos e mais vasos de flores, apresenta diversas possibilidades de harmonização do belo em cada indivíduo. Podemos ser miúdos, largos, coloridos, monocromáticos, solitários, em bouquet, tais como flores “secretas”, a serem descobertas. Uma maneira lírica de abordar a angústia e a aflição.
 
A presença do meio social contrastante e/ou acolhedor da vigorosa Espanha demarca a dicotomia entre aldeia e cidade, solidão e passeata, mudez e reivindicação, paixão e desamor, dependência e traição, desejo e desprezo. A personagem Leo nos apresenta seus conflitos e nós, espectadores, podemos ou não dizer “muito prazer, Olé!”
 
A maestria do diretor é bem acompanhada pelo elenco formado por Marina Paredes (Leo) e Juan Echanove (Angel), Rossy de Palma (Rose) e Chus Lampreave, com presença especial do bailarino Joaquim Cortés.
 
 A psicanálise, enquanto instrumento de reflexão da cultura, muito pode trazer de questionamentos sobre as comunicações de aspectos inconscientes do ser humano. Muitas vezes, esses aspectos denotam o divórcio entre desejos e realizações.
 
Este filme será comentado neste sábado, 17 de setembro, às 15h00, no Centro Médico de Franca, fazendo parte do programa Cinema e Psicanálise Núcleo de Franca, com comentários da psicanalista Sônia Maria Godoy, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto.

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