Guapuruvu

Por: Maria Luiza Salomão

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 Existe uma história do meu amor por essa árvore.  Meu pai sempre teve um carinho especial pela árvore chamada guapuruvu, que cresce 3 metros a cada ano, e que, segundo ele dizia, só nasce em terra muito boa, e não faz sombra para ninguém. 

Pesquisando um pouco mais, fico sabendo que ela é nativa da mata atlântica, da Bahia até Santa Catarina, árvore-símbolo do Vale do Paraíba. Floresce em outubro, novembro e dezembro. 
 
Madeira boa para fazer canoas! Saltos de sapatos! Brinquedos! Madeira leve, pouco resistente. O tronco é liso, acinzentado. Elegante se ergue, e a copa florida, se abre nas lonjuras verticais, em uma copa achatada como uma mesa, buquê amarelo, a contrastar com o azul do céu. 
 
É linda de se ver. Ganhei a mudinha bem pequenina, da amiga Sônia Machiavelli. Ela completa, nesse ano, 12 anos.  A guapuruvu demorou para espichar, mas agora ela vai altiva, despachada, ultrapassando as palmeiras muito mais antigas, sobe muitos metros acima da construção do meu consultório. Imensa e serena, eu agora a vejo de longe, bem acima dos telhados. 
 
Se houver um plano de construção no estacionamento, a arquitetura terá que preservar a sua vida, essa é a minha vontade e mais que vontade é um valor que gosto de acalentar.
 
O povo a chama de “espanador do céu”... tão longe está do chão. Através dela, eu cavouco infinitos. 
 
De vez em quando me pego subindo seu liso tronco, com uma saudade doida do meu pai.
 
Quem sabe eu o vejo de lá de cima. Por onde ele andará?    

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