Lágrima

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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Quando ela se foi de mãos dadas, o desespero engoliu raiva e frustração e desânimo e tristeza e aflição e ódio e rejeição. Não engoliu nunca foi o desejo de vingança que ficou espinho na garganta, a me ferir cada vez que engolia gota de saliva.

Quando revi a mulher– quase uma vida depois – realmente me feri.
 
Através do desleixo, observei seus seios que outrora acariciara com a ponta dos dedos, com os lábios. Observei seu rosto vincado, marcado pela dor, e me feriu realmente a falta de vida em tudo.
 
Então, uma gota de água desceu e desfez o espinho. A garganta se lubrificou, e eu engoli todas as ânsias e ruins.

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