Canto do galinheiro

Por: Isabel Fogaça

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Saudade é um galo calado no despertar da manhã preso nas grades do coração. Peito murcho, nada orgulhoso, levanta tímido seu canto baixinho para não incomodar os vizinhos. Meu coração já virou um galinheiro, entre tantas saudades, a da minha tia é a maior. 

Quando ela já era demais na Terra, foi levada para brilhar no céu, então, não teve uma manhã que o galo da saudade não olhou para o  apagar das estrelas e cantou triste no meu coração. 
No começo ele era pintinho, piava demais o danado. Não havia amanhecer que o acalmasse, com o tempo foi criando penas junto do status de inútil. Os vizinhos então, diziam autoritários: “vende esse galo”, “faça canja”, “bota no ringue” mas o galo magrinho parecia não servir nem mesmo de estampa de pano de prato.
 
Deixei o galo morando no meu coração, de manhã ele ainda mira o céu cantando baixinho, e eu respondo: “Cante mais alto, galo. Enquanto você tiver voz, aquele sorriso lindo lá do céu há de brilhar”.

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