A Torre Negra

Por: Marcelo Rezende

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Ele é o maior contador de histórias do mundo, mas por algum motivo, os irmãos de Lewis resolveram colocar fogo em tudo o que C.S Lewis produziu após sua morte, em 1963. Porém, para felicidade dos fãs, a sequência de uma das obras mais memoráveis do universo foi salva. A Torre Negra, esboço de continuação da Trilogia Cósmica, saiu literalmente das cinzas, e agora chega para os leitores brasileiros de forma inédita pela editora  Planeta.

Quando C.S Lewis faleceu, em 1963, os manuscritos dele foram queimados. Salvo alguns documentos, que foram entregues pelo jardineiro à Walter Hooper, secretário de Lewis. Apesar do papel amarelado e envelhecido pelo tempo, o título era legível, tratava-se da continuação nunca revelada de uma das histórias mais icônicas do mundo, A Torre Negra.  
 
Em 1938, o lendário C.S Lewis presenteou a humanidade com a Trilogia Cósmica, protagonizada pelo filólogo Elwis Ransom. Trata-se de um clássico, que na época do lançamento foi igualado apenas a O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien. O que se acreditava ser o último volume dessa série, Uma Força Medonha, parecia o fim dessa viagem interplanetária.
 
Agora, A Torre Negra, reproduzida de forma fiel aos manuscritos, conta mais uma vez as aventuras espaciais de Ransom, ao lado de personagens igualmente conhecidos, como Orfeu e MacPhee. A história é marcada por debates sublimes sobre viagens entre dimensões e a violação do espaço-tempo, contada por um dos principais nomes da literatura universal.
 
“Olhe aqui – ele disse –, você é capaz de me assegurar que o mesmo pedaço de matéria não pode estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. Muito bem. Agora, suponha que as partículas que neste momento presente compõem a ponta de seu nariz no ano 3000 sejam parte de uma cadeira. Se você pudesse viajar para o ano 3000 e, como sugere, levar seu corpo presente com você, isso significaria que em algum momento em 3000 as mesmas partículas estariam em seu nariz e na cadeira, o que é absurdo.”
 
Mesmo com algumas partes incompletas, Walter Hooper fez questão de retratar exatamente o que foi produzido antes da morte do irlandês. Ele acredita que muito pode ter se perdido no meio do incêndio, mas nem mesmo o fogo foi capaz de apagar a genialidade de C.S Lewis em contar boas histórias. Para os fãs de As Crônicas de Nárnia e da Trilogia Cósmica, A Torre Negra é uma leitura imprescindível.
 
O selo Pórtico, da editora Planeta, também publicou em 2014 o livro Conversando com C. S. Lewis, de Alister McGrath, irlandês, historiador, teólogo cristão e especialista em Lewis, que pode servir como guia para uma conversa esclarecedora e provocante sobre tudo que o intrigava. Se fosse possível conversar com Lewis, o resultado seria este livro provocante e perspicaz. Autor best-seller, conhecido pela publicação da biografia A vida de C. S. Lewis: do ateísmo às  terras de Nárnia, na obra, ele apresenta o grande escritor como companheiro perfeito para uma boa conversa e suas respostas para as perguntas que todo mundo faz.

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