A Franca

Por: Sônia Machiavelli

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De gênero feminino
des’que nasceu freguesia
com Nossa Senhora no nome
e duas claras vogais,
seu  artigo surpreende
forasteiros, estrangeiros:
a Franca?
da Franca?
na Franca?
-Olhai!

O otimismo persiste
na multiplicação dos serviços
no arrojo dos ousados
na esperança dos jovens
no aplauso à novidade
e nas  modernas avenidas
há pouco tempo traçadas
 
(mas perdura  um jeito antigo
nas vias estreitas do centro
nas mentalidades tacanhas
que nunca desaparecem:
entre pedras-pensamentos
tiriricas nascem, crescem
e quase nunca  fenecem).
 
Mãe na generosidade
acolhe com simpatia
os que chegam de toda parte
( mineiros especialmente!)
cultua a camaradagem
alimenta brincadeiras
bota fé nas amizades.
 
Passada a adolescência
no frescor, na intensidade
ela se exibe adulta
nos cuidados desdobráveis
sublimando agonias
apostando no trabalho
como melhor terapia
 
Exercício do diverso
bem e mal emparelhados
 (pois nada está separado)
espaço  se refazendo
igual às pessoas, a cidade;
principalmente o lugar 
do convívio das idades
 
 
De gênero  feminino
des’que nasceu freguesia
com Nossa  Senhora no nome
e duas claras vogais
o artigo permanece
definido e singular:
 
a Franca
da Franca
na Franca
Uai!

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