Nosso tesouro

Por: Isabel Fogaça

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Minha mãe nomeou de “nosso tesouro” um pequeno baú guardamos todas as moedas comemorativas das Olimpíadas que colecionamos juntas. Sem muito esforço, quando troquei a primeira moeda colocamos a coleção completa como meta. Esta semana voltei a morar com a minha mãe, depois de seis anos vivendo sozinha numa cidade distante. Nestes últimos dias estamos planejando nossas vidas, adequando nossos vestidos nos armários, e também desengavetando algumas roupas de cama. Foi no desenrolar da organização que perguntei: “Mãe, onde você guardou o nosso tesouro?”.

A pergunta soou de forma engraçada, afinal, o tesouro não é um tanque de moedas como o do Tio Patinhas, não é nem um pedacinho do que Portugal levou do Brasil no século XVI, muito menos a conta bancária do Cunha. São apenas algumas moedas juntas em um pequeno baú feito de couro de vaca amarrado por uma linha firme.

Minha mãe então apontou para o baú logo após eu ter indagado. Olhei aquela caixinha de couro tímida que havíamos nomeado de tesouro, minutos depois passei os olhos pelo meu quarto, pelo escritório, pela sala e cozinha. Minha mãe fazia carinhosamente um peixe assado com legumes muito cheiroso, enquanto meu irmão brincava em frente à televisão. Não há luxo, porcelana, marfim, especiarias, mas não há maneiras de não ser considerada rica.

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