Um poema

Por: Breno Carrijo

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Escrevo poemas: 
escravo dessa tua mão alva, 
do teu toque tímido;
de tanto desvelo. 
 
Lúcido, o teu olhar. 
 
Sabes bem onde repousas?
 
Serás protagonista de minhas rapsódias. 
 
Afundarás comigo a mil metros 
de profundidade nas águas escuras 
deste pélago, aquém, desta bulha 
das vagas, do nervoso mar contra 
as rochas, que são, as lembranças 
pesadas
 
Este som que ouves no cais 
é baque de insatisfação. 
Mas se juntos, as tormentas de 
outrora deixarão de balouçar 
as superfícies de nossos
oceanos
 
Garanto: 
na profundidade escura 
teus abraços são única 
matéria possível para constituição 
do âmbar que me escapa
ao digerir nossas próprias poesias 
 
Seguirás uma alma de cachalote,
que só afunda, em constante fuga
às eternas internas solidões marítimas 
 
Ficaremos sós,
eternamente submersos, 
na imensa imensidão imersa 
e, em que, a certa profundidade:
só se será possível ver a chama, 
a flama de nossos encontros 
noturnos de água sagada
 
E tudo o mais 
é que será:
 
o impossível 

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