arisca ave

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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Menino, muito menino, quis aprisionar, pelo menos, um dos muitos sonhos que coloriam a minha permanente modorra. Fiz planos, desenhei roteiros que me pareciam quase concretos. 

Com mãos meticulosas, selecionei, entre milhares, gravetos de esperança – tábuas miniaturais, amarrei-as, uma a uma, com arame de névoas da cor da ilusão. A portinhola foi toda ela envernizada com as cores do segredo.
 
Faltava a isca. Fui ao moinho do coração e recolhi farelos de utopias. E saí à caça.
Durante uma vida, andei planícies, subi morros, desci vales. Estive por invernos na linha do horizonte azul.
 
Quando ficou noite, os trôpegos pés da alma, feridos em tantas pedras, tantos descaminhos, me trouxeram de volta. Na mochila surrada, vazia de tudo, apenas o alçapão para aprisionar sonhos.
Menino, muito menino, fico sentado, esperando que a manhã volte. E que um sonho, filhote que seja, venha ao menos pousar na minha janela..

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