AINDA CARREGO

Por: Angela Gasparetto

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Ainda carrego comigo a alma desnuda, as lágrimas não vertidas e a solidão das manhãs vazias.

Ainda carrego os fardos meus e dos outros, a casa antiga, as chuvas nas telhas coloniais, as janelas de uma folha só, a estrada de terra, o caminhão de mudanças e todas as mudanças, carrego-as na minha mente. 
 
Ainda levo comigo o vestido de chita, os sapatos de festa, as calçadas de pedra e carrego todas as casas assombradas nas quais vivi.
 
Carrego todas as chuvas sobre o abacateiro velho, o barulho do vento nas folhas, os insetos da temporada de verão e carrego o som do rádio ao fundo compassando as horas de todos os compromissos  já marcados.
 
Carrego as sombras do passado, as cartas na mesa, o caminho de ida e nunca de volta.
 
E ainda levo comigo, um coração menino, repleto de promessas leves, de vida utópica, de luzes no final de cada túnel.  
 
Ainda carrego e levo o amor profundo, a alma pura, o perdão trabalhado e a crença em um futuro feliz.

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