Uma Shirley qualquer

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Shirley decide embarcar numa viagem à Grécia, com sua melhor amiga, uma jornada ao encontro do seu verdadeiro eu. Esta é a história da personagem do monólogo Uma Shirley qualquer, adaptado por Miguel Falabella e apresentada pela talentosa atriz Susana Vieira, no teatro Renaissance, em SP. Aplaudida de pé, por uma sala cheia, ela passou  aos presentes a angústia de uma mulher casada, desprezada pelo marido e que falava com a parede da cozinha para não sentir tanta solidão. Procurava entende, em que ponto de sua vida seus sonhos de felicidade a dois tinham se transformado em uma tediosa rotina. Amava seu marido e fora feliz, tiveram dois filhos, agora com vida própria; no entanto, seu marido perdera o romantismo e os modos elegantes que tanto a encantavam. Shirley relembra seus tempos de escola, sua personalidade marcante, seus sentimentos em relação às colegas e seu ódio pela diretora que a discriminava. Tudo isso contado à parede, cuja invocação ocorria a todo momento. Ela mesma ia elaborando as respostas chegando à conclusão que ansiava por outra vida, por novas experiências, por viver seu próprio sonho. Aceita um convite de uma amiga para viajar para a Grécia. Deixa tudo organizado para o marido e um simples bilhete.

Lá, sentada em frente ao mar, enquanto a brisa mediterrânea esvoaçava seus cabelos, sente o sabor da liberdade, há tempos almejada, e tem um encontro consigo mesma. Estava feliz, decide não voltar. Um pequeno romance com um morador da ilha, que depois virou seu patrão, pois ela trabalhava numa taverna de sua propriedade, não a prendeu o suficiente para impedi-la de viver sua vida como desejava. Após um certo tempo, seu marido a procura e ela o incentiva a viver, também, seu próprio sonho.

A história original foi escrita pelo escritor inglês Willy Russel e há um filme baseado nela chamado Shirley Valentine, muito famoso na década de 90, visto como estímulo à liberdade de escolhas  das mulheres.

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