TENHO PRESSA DE VIVER

Por: Angela Gasparetto

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Tenho pressa de viver. Experimentar aquela sensação que sufoca o peito e engradece a alma.  Constatar que o brilho do sol é mesmo que cobre a humanidade desde a origem dos tempos.

Tenho pressa de viver. Observar tanto as aves raras como as comuns. Comungar com os animais e tornar estático o tempo perfeito destes momentos sagrados.
 
Enxergar além das montanhas, mergulhar os pés na grama molhada e me contagiar com a alegria do voo cego das libélulas incoerentes. 
 
Tenho pressa de viver. Sentir o mesmo perfume dos eucaliptos na primavera e degustar aquele jatobá com gosto de infância na estrada de terra.
 
Tenho pressa de viver. De mergulhada no silêncio sacro das tardes ociosas, reencontrar o equilíbrio perdido de outrora.  De fazer as escolhas certas, porque o tempo se escasseou demais, caso eu venha errar. E tenho pressa de acertar. 
 
Tenho pressa de viver. Desculpar-me pelas palavras inadvertidas que lancei em momento de fúria e dizer o quanto amo às pessoas que me são caras.
 
Experimentar este amor puro pelo outro, de promessas singelas, de alegrias permitidas e de reencontro de almas irmãs. 
 
Tenho pressa de viver. A pressa do encontro com esta utópica e esfuziante felicidade, à qual realizamos uma busca insana por toda uma vida. Tenho muita pressa de viver.

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