Amor de Puta

Por: Adriana Galdino

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A maioria das pessoas já ouviu a frase “de longe, todo mundo é normal”. Mas você já parou para pensar sobre isso? Amor de Puta, obra de estreia do empresário carioca e  ex-executivo da Saraiva, Ricardo Daumas, publicada pela editora Sensus, expõe de forma envolvente e inusitada como cada pessoa possui diversas peculiaridades.

Na história, João é o típico filho de  família classe média alta. Ele tem um emprego normal em um banco e uma rotina apática. Após dez anos  casado e sem filhos, muda-se contra a própria vontade do Rio de Janeiro para São Paulo. Porém, o cinza e a garoa da capital paulista não ajudam a melhorar em nada o humor dele, e a vida segue sem graça e sem o menor sentido.
 
“Não há charme que resista a uma vida sem propósito, e é assim que tem sido, como comer sem sentir gosto, só pra me alimentar. As coisas simplesmente acontecem porque chega a hora de acontecer, sem que eu as deseje nem rejeite, um passo após o outro sem erro nem grandes angústias.”- expressa o protagonista logo no início da história.
 
Foi durante esses dias de angústia que João conheceu Celeste, uma vizinha muito bonita e acolhedora. A conexão entre os dois foi imediata. Inesperadamente, os encontros com ela passaram a colorir e iluminar a vida do bancário e São Paulo torna-se menos frígida.
 
"Pensei em perguntar onde ela estava ontem, o que ela fez, por que demorou, e o que faria amanhã na hora da festa. Tudo inútil, nós contaríamos mentiras um pro outro, ainda que não quiséssemos. O cheiro do cabelo lavado de Celeste tinha o poder de me acalmar, me assear a alma”, avalia o narrador em certa altura. 
 
Tudo parecia perfeito, até que, de forma tão natural quanto a relação entre os dois, Celeste faz uma revelação impensável: ela é uma garota de programa, uma puta. A partir daí, dá-se o início da verdadeira transformação de João, que tem que passar toda a vida a limpo, reatar seus vínculos com um mundo que ele sem perceber rejeitava, e que agora o confronta e atrai.
 
O texto é  gostoso de ler, cheio de referências visuais, palavras bem escolhidas, sons e aromas percebidos por personagens que ao mesmo tempo "cabem e não cabem" no lugar em que vivem.

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