Despojos

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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Sonhos mortos e esperanças amarelecidas escorrem pelos dedos, pelo funil da caneta, rasgam o hímen da folha, enodoam a brancura. A concentração e o esforço liquefazem fibras da alma e do corpo que se orvalham de febre, de suor. 

A lassidão exige repouso. Por um momento, descanso a testa sobre as mãos superpostas na mesa. O cochilo deseja virar sono, mas é despertado pelo tropel ao longe. 
 
Guardo então a sujeira, folha sobre folha, na gaveta e aguardo contrito a chegada da mulher da foice.
 
Amanhã, sei, olhos apressados percorrerão as manchas de sangue, perceberão logo que não são escrituras nem contratos. 
 
Então, as folhas sujas restarão na lata de lixo.

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