NINA SE FOI

Por: Angela Gasparetto

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Quando a encontramos, só visualizávamos as patinhas marrons debaixo da porta.

E quando tentávamos tocá-las, ela as recolhia medrosamente. 
 
Fomos descobri-la debaixo do tanque. Estava encolhida e com muito medo. 
 
Levantava timidamente os olhinhos, mas as orelhas estavam em alerta. 
 
Era uma pinscher preta e não marrom! As cores das patinhas nos enganaram. 
 
Veio para casa. No colo de todas discutíamos como seria seu o nome.
 
Várias opções foram ditas, até que minha irmã mais velha, a dona oficial dela disse: “NINA”! 
Todas nós gostamos e ficou Nina. 
 
Pequena, criança, sapeca. Mas de personalidade. Nunca conheci um cão com tanta opinião própria. Nina não fazia nada que não queria. Nunca ouvia ordens dadas como: “Vai deitar”, não deitava. “Vem aqui”! Não vinha!
 
Mas tinha uma doçura toda particular e um companheirismo seletivo. 
 
Pois Nina gostava de poucos. Minha mãe, minha irmã Ana e meu marido. Os outros ela tolerava...
 
Lembro-me dela sentada meio escondida no nosso sofá escuro atrás de minha mãe que se deitava à sesta. Como ela também tinha pelo escuro, quase não a víamos, mas ela sim. Sempre alerta.
 
Lembro-me também dela correndo alucinada quando a levávamos para passear nos terrenos limpos para construção. Dela latindo estridentemente pedindo colo ao meu marido e das mordidas que ameaçava dar em quem ousasse se aproximar deles. 
 
O tempo foi passando e como todo cão, ela foi envelhecendo. 
 
Mas Nina lutou muito para viver;  mesmo cambaleando, um pouco cega, manteve sua personalidade, seu companheirismo e seu carinho pelos escolhidos, principalmente pela minha irmã Ana, às quais se tornaram inseparáveis. Hoje Nina se foi. Morreu em um hospital veterinário. Seu coraçãozinho não aguentou mais. 
 
Ele foi forte para nos amar do seu jeito, para ser companheira no seu tempo, mas não pôde mais segurar o turbilhão de sintomas que a acometeram.
 
Vai em paz Nina. Um cachorro é um amigo sem precedentes. Ele o ama porque você o escolheu primeiro. Nina não teve escolha quando veio para nossa casa de repente, já nós a escolhemos desde o primeiro momento em nosso coração. Vá em paz Nina. Vá correr em todos os campos vazios do Senhor e vá viver agora livre como todo cão deve ser. 

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