Cora Coralina

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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“É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas; mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, 

mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.”

Cora Coralina

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas nasceu em  20 de agosto de 1889 na cidade de Goiás Velho, na “velha casa da ponte”, tema e palco de muitas de suas poesias.  Viveu 95 anos dedicados à arte das palavras e dos doces, suas paixões. Cora Coralina, a poetisa, nasceu com Anna,  mas somente ficou conhecida, ou foi reconhecida quando, aos setenta e seis anos, publicou seu primeiro livro de poesias – Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Foi a primeira mulher  a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha, livro onde conta sua história. É considerada a grande poeta de Goiás, apesar de se achar, dizia ela, mais doceira do que escritora. Considerava seus doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam vizinhos e amigos, muito melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno. Pobre a vida toda, tem uma história de vida rica em detalhes. Em 1911, fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas, com quem teve seis filhos e veio morar no estado de São Paulo, inicialmente nos municípios de Avaré e Jaboticabal, e depois em São Paulo.  Tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos depois que o marido, morreu em 1934. Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Cora, que começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira série do primário e o  interesse do grande público foi despertado graças aos elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 1980, quando foi reconhecida e passou a  participar de conferências, homenagens e programas de televisão. Nunca  perdeu a doçura da alma de escritora e confeiteira. Morreu em 10 de abril de 1985, em Goiânia, com 95 anos.  Cora Coralina – Todas as Vidas, filme de Renato Barbieri que mistura documentário e ficção em torno da vida e obra dessa mulher rara, estréia em 25 de maio próximo. 
 
Frases de Cora:
 
"O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes"
 
"O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida". 
 
“A verdadeira coragem é ir atrás de seu sonho mesmo quando todos dizem que ele é impossível.”
 
“ Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos.” 
 
“Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos e ser otimista.”

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