Pedacinho grande

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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Tropeços muitos e amores frágeis, sinuosidades sempre e descaminhos, roseiras descarnadas e estrelas distantes, tão longínquas, tudo ficou verso anômalo, conjugando-me para o sozinho.
 
O vigor da juventude e o sopro de equilíbrio da maturidade bem que tentaram resistir. Foram sempre, porém, soldados mutilados. E sua bandeira branca e sexagenária, ferida e sem vento, não resultou suporte.
 
O inimigo tempo, aríete formidável, derrubou portas e arremessou castelo e nobreza e trovador ao fundo do precipício.
 
Agora, quando a fé ameaça requerer aposentadoria, mãos brancas arremessam corda verde em direção ao fundo do abismo. 
 
Que pena!
 
A noite é sem lua, mal distingo o verde que balança acima de mim. 
 
Ergo os braços inutilmente.
 
Que pena! A corda é curta, falta um pedacinho, grande.

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