Por onde ando vejo linhas

Por: Isabel Fogaça

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Quando eu tinha cinco anos minha mãe me ensinou a ler. Quando fiz seis meu pai me ensinou o que era pecado. Quando eu tinha oito meu avô me falou que era errado mentir. Aos nove minha avó disse que eu precisava ajudar minha mãe com as tarefas de casa.
 
Aos dez anos eu já cuidava do meu  irmão sozinha, fazia compras na padaria e limpava a casa enquanto minha mãe trabalhava. Aos doze ganhei minha primeira mesada, então descobri como as coisas eram difíceis de serem compradas. Aos dezesseis fiz minha primeira amiga de verdade. Aos dezoito descobri o que era morar sozinha.
 
Aos dezenove conclui que era errado comer animais. Aos vinte conheci o gosto amargo da saudade. Com vinte e um vi o quanto odeio dormir acompanhada. Aos vinte e dois conheci a dor de perder um ente querido e senti meu coração ser perfurado por uma escavadeira sem piedade.
 
Com vinte e dois também descobri que sou a única responsável pela a minha felicidade. Com vinte e três eu entrei no mestrado com este propósito. Com vinte e quatro passei a escrever semanalmente para o jornal, porém não sei em que exato  momento de minha vida descobri que nasci para colocar as conquistas e emoções no papel. Este fato talvez seja insignificante, afinal a mágica acontece com a vontade de continuar vivendo e escrevendo.

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