Caminhando sob estrelas

Por: Angela Gasparetto

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Sentada no banco da praça, de olhos fechados, ela se imagina caminhando sob as estrelas em uma estrada ladeada por girassóis. Isto foi um sonho antigo.
 
Agora, ao longe, ela pode ver que ele caminha contra a luz e a sombra que faz na lateral da calçada, espelha as suas pernas arqueadas.
 
Pode ver também a sombra dos cabelos compridos ao vento e da guitarra que segura apoiando no braço direito.
 
Olhando aquele desenho, ela fica tomada de uma sensação estranha, pois parece ver um filme em branco e preto, o qual veio do passado e agora se move lentamente em sua direção.
 
Ele chega em silêncio. Senta ao seu lado e coloca o instrumento apoiado no banco. A praça agora está deserta.
 
Quando ela se vira para olhar o rosto dele, o que vê dá-lhe um choque instantâneo.
 
Não, não é o garoto de 17 anos que está ao seu lado. É sim um homem de meia idade, as rugas presentes nos seus olhos azuis e os cabelos embora longos, estão cada vez mais brancos.
 
Ela pensa. Onde ficou o seu amor da adolescência? Não há resposta, porque esta pergunta não deve ser feita. Nunca.
 
Perguntas idiotas como estas, devem ser feitas no escuro do seu apartamento, ouvindo Lionel Ritchie, com trilhas sonoras de 30 anos atrás, degustando um vinho proibido e vivendo uma liberdade arrancada à força.
 
Mas o silêncio perdura. As fontes da praça foram ligadas agora. As estrelas estão começando a cobrir o céu, mesmo porque eles devem caminhar sob as estrelas hoje.
 
Ele segura sua mão. Já ela segura o seu choro.  
 
De repente, no ambiente que ficou silencioso, eles começam a ouvir ao longe a música "Lady", fazendo com que se ergam vagarosamente de mãos dadas e comecem a caminhar na escuridão da praça, tendo somente como testemunhas, as estrelas no céu, que brilham cada vez mais ousadas. 

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