Era uma vez...

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Um cachorrinho da raça Skye Terrier, que nasceu em Edimburgo, capital da Escócia, no Reino Unido. (Edimburgo é a cidade do mundo que mais tem prédios tombados pela Unesco, o que a torna ponto turístico quase obrigatório no meio de tantas atrações escocesas.

Quase, porque tem o Lago Ness, que dizem ser habitação de Ness, monstro escondido no fundo daquelas águas; tem as destilarias de whisky; tem os castelos abandonados, que dizem ser morada de fantasmas e tem ainda as Highlands de paisagens deslumbrantes, local das batalhas do exército amador de William Wallace – herói do século XIII - contra Edward I, rei da Inglaterra.  A cidade está coalhada de estátuas fabulosas que homenageiam antepassados e gente da atualidade.

Escoceses famosos vão de Tony Blair, ex-primeiro ministro inglês; passam por  Sean Connery, o mais famoso dos 007; Susan Boyle, cantora; vão até poetas, inventores, filósofos e pensadores.) E ainda tem Bobby. Bobby era um cachorrinho cujo dono e amigo se chamava Constable John Gray, vigia noturno, trabalhador nas noites frias e silenciosas da Escócia. Faziam dupla conhecida na cidade.

Um dia Gray ficou doente, muito doente, e em decorrência de tuberculose, faleceu. As pessoas amigas da dupla desfeita tentaram arranjar outro lar para Bobby, mas ele não se adaptava e preferia ficar velando a sepultura do amigo morto. Ficava ali dia e noite, com frio, sol, calor ou chuva. Catorze anos se passaram e ele se tornou conhecido das pessoas, admiradas com aquela prova de carinho. Quando morreu, embora quisessem enterrá-lo ao lado do antigo dono e amigo, as leis não permitiram e ele foi enterrado dentro dos portões da igreja, mas em solo não consagrado, cerca de setenta metros do túmulo de Gray. Em novembro de 1873 foi erguida fonte com estátua em homenagem à devoção de Bobby, que se tornou atração das mais visitadas em Edimburgo.

Na igreja do cemitério há um retrato de Bobby pintado por John MacLeod e junto ao túmulo, gravada em monólito de pedra vermelha,  pode-se ler a inscrição: “Greyfriars Bobby – morreu em 14 de janeiro de 1872, aos dezesseis anos – Que sua lealdade e devoção sirvam de lição a todos nós.” Há dois filmes – imperdíveis - que contam essa história – Meu leal companheiro, de 1961 e Greyfriars Bobby, de 2005. 

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