SENSIBILIDADE MÃE-FILHO

Por: Ligia Freitas

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Entrei no carro, como de costume, com o meu filho a tiracolo, coçando os olhinhos, como se desse um sinal de sono profundo. 
 
Ali era o seu lugar de pestanejar, de imergir numa longa soneca. 
 
Coloquei-o em seu assento e acreditei que ele se entregaria instintivamente àquele momento.
 
Mal me sentei no banco do carro e já comecei a proferir um diálogo eufórico e excitado, cheio de causos e estórias para contar ao meu marido, que parecia atento e cheio de ouvidos. 
 
O meu filho? Não, claro que ele não dormiu, tamanha a sensibilidade entre mim e ele. Vi os seus pequeninos olhos estatelados, os quais como água cristalina, me fizeram enxergar nossa mais sincera sintonia, uma conexão que transcende os desejos, os anseios e até o fisiológico.
 
Olhei para dentro de mim e ao invés de tentar acalmá-lo, tentei me acalmar, como se fôssemos um só corpo, uma linha com duas pontas, uma pista de mão dupla, um sorriso que sorri duplamente, um olhar que se fecha reflexivamente.
 
Fiz- me vigilante por alguns segundos e comecei a olhar para as árvores que passavam do lado de fora, na estrada, quando senti o meu coração pulsar mais lentamente.
 
Olhei para o lado e a resposta chegou  nua e crua; para melhor entender, o meu filho estava bem ali, e eu o vi fechando os olhinhos cansados e suspirando, enfim, o seu merecido sono profundo.

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