Adeus

Por: Ana Julia Bittar

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E o menino na porteira, só vendo-a indo embora,
A prenda de seus sonhos, estrada afora.
Ia ela, esperando naquela promessa de romance, 
Apenas uma chance de apaixonar-se.
 
Todavia, percebia no aumento da distância,
E da água nos olhos seus,
Que todos os momentos vividos não passavam de fragrâncias,
Gostos de todas as manhãs que viveu,
E que agora ficariam junto daquela porteira,
Com seu amado Romeu.
 
O que será da lua sem o casal na beira da represa para apreciá-la?
O que será das cantigas, antes cantadas com tanto apreço
Das quais só mudariam de endereço
Para outros ouvidos, outra sala.
 
O que será das danças, antes costuradas por sua cintura
Às quais eram abraçadas por ele
Com ternura,
Naquela noite fria de outono, 
Daquele
Que seria o único dono
Do coração seu.
 
Pois a vida tem dessas,
Uma besteira que a entristeceu
Faz com que saísse às pressas,
A prenda dos seus olhos, presente de Deus
Escapaste dentre seus dedos
Deixando para trás apenas saudade, promessas
E aquele que seria um dos seus maiores medos,
Um eterno adeus.

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