A outra face da maternidade

Por: Ligia Freitas

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Eis que a vida te apresenta, em pratos limpos, 
A sua maior missão: ser mãe!
Não há receita, nem regra, provérbio ou religião,
Que te ensine a cuidar de um filho,
Mas há palpite, dica, orientação,
Mal olhado, sorriso fechado e peito dolorido.
 
Há fortes dores na alma, dessas que o diabo entende arretado,
Dessas que só Deus acode com valentia.
Há noites passadas em claro, distanciamento do marido,
Encarceramento consentido.
 
Não há choro nem vela,
Para essa donzela,
A sociedade a julga e a pune a todo o momento,
Se não dá leite do peito, eis o tormento,
Se a criança vai para a creche, 
É porque a mãe a esquece.
Se a criança fica em casa,
É porque a mãe não vale de nada.
 
E a cabeça parece mais um penico,
É tralha, é treco, trava daqui, trava dali.
Levanta e senta, corre e grita, chora e acalma,
Acode e respira.
 
Seja a Mãe perfeita,
Não chore, não grite, não brigue,
Não tenha sono, não tenha culpa,
Não exista.
 
E se perder a paciência vira louca,
E se perder a memória vira insana,
E se não perder o peso vira gorda.
 
Perde-se a nação, em hipocrisia,
Perdem-se mulheres maravilhosas,
Perdem-se dias e noites sem respostas,
Perde-se tanto, mas de tudo é pouco, 
Perto da perda de si mesma.
 
 
 
 

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