Filha de Rubem Alves lança primeira obra

Por: Marina Rios

360844
Quinze de setembro é uma data repleta de significados para Raquel Alves: dia do nascimento de seu pai, Rubem Alves, que se estivesse por aqui comemoraria 84 anos, e também dia do lançamento de sua primeira obra infantil, Crisálida, a cigarra que gostava de primavera, em Campinas, sua cidade natal. Para comemorar esse dia especial, Raquel palestrou sobre o tema “Ostra feliz não faz pérola”, no auditório  Eva Herz, da Livraria Cultura de Campinas.
 
Na palestra, Raquel Alves contou com a participação da jornalista Edlaine Garcia e falou sobre absorver o charme que há em cada canto da vida para que nossos dias não passem despercebidos. Enquanto uma relatava fatos reais da própria vida, a outra recheava a palestra com a literatura de Rubem Alves. “Estarmos profundamente ligados ao viver significa sujeitarmo-nos a sentir as dores da vida que nos são apresentadas com intensidade. Mas seria um desperdício apenas viver uma dor sem fazer nada para melhorá-la. E quem é capaz de melhorar a dor de um pode melhorar a dor de muita gente”, relatou Raquel.
 
O nome da palestra faz referência à obra de Rubem Alves Ostra feliz não faz pérola, livro que aborda a beleza produzida por meio da dor; o ato criador surge sempre de uma dor. Escrever Crisálida, a cigarra que gostava de primavera foi um momento como esse para Raquel. “Quando eu era criança, brincava que seria escritora e que meu pai escreveria a introdução do meu livro. Fui crescendo e me desliguei disso. Quando meu pai faleceu, em 2014, essa vontade de escrever voltou. Diante de situações que me doíam, eu escrevia. Acho que é a tal da ostra que está incomodada”, confessa.
 
Crisálida, a cigarra que gostava de primavera apresenta ao leitor a história de uma cigarra que, assim como todas as outras, vivia debaixo da terra até o dia em que sobe no tronco de uma árvore e descobre que o mundo lá fora, em torno do sol, é muito mais bonito.
 
Raquel dedicou Crisálida ao pai, que dedicou muitas de suas histórias a ela. O livro Como nasceu a alegria, que está sendo relançado este mês pela Editora Adônis, foi uma dessas histórias dedicadas a Raquel.
 
A história de uma flor que ao nascer cortou uma de suas pétalas em um espinho serviu para ajudar a filha caçula, que nasceu com lábio leporino, a lidar com a dor dos olhares e das perguntas que as outras pessoas faziam para ela. No livro, Florinha convivia muito bem com sua pétala rachada até o momento de receber os olhares e os comentários das demais flores, o que lhe causava grande sofrimento.
 
Para participar da palestra que marca o lançamento do livro Crisálida, de Raquel Alves, e da nova edição de Como nasceu a alegria, de Rubem Alves, os participantes levaram uma lata de leite em pó NAN. A arrecadação foi revertida à Smile Train, entidade internacional que atende crianças com fissura de lábio e palato. Mais informações no site www.rubemalves.editoraadonis.com.br/ostra-feliz-nao-faz-perola. 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras