Cinco vezes C. S. Lewis

Por: Naira Leite

362840

Em um dos períodos mais sombrios da humanidade, a Segunda Guerra Mundial, C.S. Lewis, o célebre escritor de língua inglesa considerado um dos mais influentes do século XX, foi convidado pela BBC a fazer uma série de palestras pelo rádio com o intuito de explicar a fé cristã de forma simples e clara. Mais tarde, ajustado pelo próprio Lewis, esse material daria origem a Cristianismo puro e simples, um grande clássico da literatura. Na obra mais popular e acessível de seu legado, Lewis apresenta os principais elementos da cosmovisão cristã, gradativamente conduzindo o leitor a temas mais profundos e complexos, provocando reflexão e debate.

E como expressar de maneira profunda o amor, sentimento comumente tratado de forma tão rasa? Para C.S. Lewis, ele pode ser comunicado de quatro maneiras: Afeição, a forma mais básica de amar; Amizade, considerada a mais rara; Eros, o amor apaixonado; e Caridade, o maior e menos egoísta deles. Em Os quatro amores, um de seus livros influentes, o autor contempla a essência do amor e avalia como cada tipo se ajusta aos demais. Com a maestria que o tornou um dos mais importantes escritores do século XX, ele desafia e incorpora definições clássicas do amor de uma forma que continua atual e relevante.

Surpreendente e profético, A abolição do homem é um dos títulos mais debatidos do escritor. Nas poucas, porém densas páginas desta obra, ele defende a moralidade absoluta e os valores universais, como o altruísmo, a caridade e o amor, além de expor as consequências da falta desses princípios na sociedade. Criticando os argumentos dos relativistas, a obra – agora em nova edição com capa dura e acabamento de luxo – alerta para os perigos de questionar os valores morais objetivos, comuns a todos, sem os quais os seres humanos correm o risco de perder a humanidade. Com bases sólidas e profundas, Lewis mostra que a tentativa de abolir a moralidade equivale, no fim, a abolir o próprio homem, e convida os leitores a não se renderem à tendência relativista que permeia a sociedade contemporânea.

Nos nove sermões que compõem uma de suas obras mais clássicas, O peso da glória, C.S. Lewis demonstra por que é um dos autores cristãos mais influentes da História. Ele é capaz de tratar os mais variados temas de modo brilhante, trazendo simplicidade e clareza a assuntos complexos, instigando tanto nossa alma quanto nosso intelecto. O peso da glória traz aos leitores contemporâneos as mesmas palavras de inspiração, orientação e apologia da fé cristã que levaram alento a milhares de ouvintes em um tempo recheado de dúvidas.

Irônica, astuta, irreverente. Assim pode ser descrita a obra-prima que o escritor dedicou a seu amigo J.R.R. Tolkien: Cartas de um diabo a seu aprendiz. Um clássico da literatura cristã, este retrato satírico da vida humana, feito pelo ponto de vista do diabo, tem divertido milhões de leitores desde sua primeira publicação, na década de 1940; agora com novo projeto gráfico e tradução atual. É a correspondência ao mesmo tempo cômica, séria e original entre um diabo e seu sobrinho aprendiz. Revelando uma personalidade mais espirituosa, Lewis apresenta a mais envolvente narrativa já escrita sobre tentações — e a superação delas.

Será em novembro, mês de nascimento de C. S. Lewis, que a editora Thomas Nelson Brasil lançará o conjunto das cinco obras comentadas nos parágrafos anteriores, três delas traduzidas por uma de suas maiores especialistas, Gabrielle Greggersen (Cristianismo puro e simples, Cartas de um diabo a seu aprendiz e A abolição do homem). Além do texto moderno e atualizado, as novas edições ganham, ainda, um projeto gráfico especial, com acabamento de luxo, capa dura com relevo e bordas coloridas. Imperdível.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras